Radiologia Brasileira - Publicação Científica Oficial do Colégio Brasileiro de Radiologia

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Idioma/Language: Português Inglês

Vol. 52 nº 5 - Set. / Out.  of 2019

EDITORIAL
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Page(s) 9 to 9



A importância de estudos prospectivos e longitudinais a respeito do impacto isquiofemoral

Autho(rs): Marcello H. Nogueira-Barbosa

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O impacto isquiofemoral pode causar dor na região glútea posterior profunda, no quadril e na virilha e, por ser incomum, este diagnóstico é frequentemente negligenciado ou postergado. A dor pode irradiar para a região posterior da coxa por compressão ou irritação do nervo ciático, em razão da proximidade do ciático com a borda posterior do músculo quadrado femoral(1). A mensuração do espaço isquiofemoral (≤ 15 mm) e do espaço do quadrado femoral (≤ 10 mm) costuma auxiliar no diagnóstico dessa condição, mas o padrão de referência para obter o diagnóstico de impacto isquiofemoral continua sendo a presença de sintomas combinada com alteração de sinal de edema no músculo quadrado femoral nas imagens de ressonância magnética(2,3).

O impacto isquiofemoral é mais frequente em mulheres, na meia-idade ou em pacientes idosos. A etiologia é multifatorial, podendo ser predisposto ou causado por diferentes condições: alterações pós-cirúrgicas, deformidades do fêmur como coxa valga, coxa brevis e excesso de antetorsão, instabilidade ou displasia do quadril, retroversão pélvica e tendinopatia dos isquiotibiais, entre outras causas(4–6).

O edema muscular tipicamente é identificado na porção central do ventre do quadrado femoral, na área de maior pinçamento anatômico, diferente do que seria esperado no estiramento muscular, em que o edema tende a se situar ao longo da junção miotendínea distal(1).

A mensuração dos espaços isquiofemoral e quadrado femoral realizada nas imagens de ressonância magnética pode variar com o posicionamento do paciente, sendo influenciada pelo grau de flexão, de adução e rotação do quadril, assim como pelo decúbito(7,8). As medidas realizadas nos exames de imagem de rotina podem não refletir as variações que ocorrem durante atividades diárias ou práticas esportivas(8). A mensuração desses espaços tende a ser menor com a rotação externa, com a adução ou com a extensão do quadril e, portanto, o posicionamento do quadril é um importante fator a ser controlado na avaliação por imagens. Este é um dos vários motivos pelos quais se tornam importantes estudos prospectivos.

No número anterior da Radiologia Brasileira acha-se publicado um estudo prospectivo a respeito do impacto isquiofemoral(9), provavelmente o primeiro estudo com esta característica na literatura internacional. O estudo prospectivo de Barros et al.(9) confirmou os achados de redução significativa dos espaços isquiofemoral e quadrado femoral em pacientes com diagnóstico de impacto isquiofemoral. Todos os pacientes incluídos no estudo prospectivamente foram avaliados e examinados de forma padronizada. No entanto, o estudo tem limitações significativas, principalmente em relação ao pequeno número de pacientes incluídos. Assim como nos estudos prévios da literatura, também não foi realizada a avaliação longitudinal, o que limita as conclusões a respeito de fatores causadores ou protetores.

Aguardamos que futuros estudos prospectivos com maior número de pacientes e que estudos longitudinais sejam viabilizados para aumentar nosso conhecimento a respeito desse diagnóstico desafiador.


REFERÊNCIAS

1. Kassarjian A, Tomas X, Cerezal L, et al. MRI of the quadratus femoris muscle: anatomic considerations and pathologic lesions. AJR Am J Roentgenol. 2011;197: 170–4.

2. Akça A, Şafak KY, İliş ED, et al. Ischiofemoral impingement: assessment of MRI findings and their reliability. Acta Ortop Bras. 2016;24:318–21.

3. Singer AD, Subhawong TK, Jose J, et al. Ischiofemoral impingement syndrome: a meta-analysis. Skeletal Radiol. 2015;44:831–7.

4. Johnson KA. Impingement of the lesser trochanter on the ischial ramus after total hip arthroplasty. Report of three cases. J Bone Joint Surg Am. 1977;59:268–9.

5. Hernando MF, Cerezal L, Pérez-Carro L, et al. Evaluation and management of ischiofemoral impingement: a pathophysiologic, radiologic, and therapeutic approach to a complex diagnosis. Skeletal Radiol. 2016;45:771–87.

6. Carvalho AD, Garcia FL, Nogueira-Barbosa MH. Ischiofemoral impingement secondary to valgus intertrochanteric osteotomy: a case report. Radiol Bras. 2017; 50:335–7.

7. Johnson AC, Hollman JH, Howe BM, et al. Variability of ischiofemoral space dimensions with changes in hip flexion: an MRI study. Skeletal Radiol. 2017;46:59–64.

8. Atkins PR, Fiorentino NM, Aoki SK, et al. In vivo measurements of the ischiofemoral space in recreationally active participants during dynamic activities: a highspeed dual fluoroscopy study. Am J Sports Med. 2017;45:2901–10.

9. Barros AAG, Santos FBG, Vassalo CC, et al. Evaluation of the ischiofemoral space: a case-control study. Radiol Bras. 2019;52:237–41.










Professor Associado de Radiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil

E-mail: marcello@fmrp.usp.br
 
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