Radiologia Brasileira - Publicação Científica Oficial do Colégio Brasileiro de Radiologia

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Idioma/Language: Português Inglês

Vol. 51 nº 1 - Jan. / Fev.  of 2018

CARTAS AO EDITOR
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Page(s) 61 to 62



Metástases cutâneas com comprometimento ósseo secundárias a carcinoma epidermoide paranasal

Autho(rs): Bruno Niemeyer de Freitas Ribeiro1; Bernardo Carvalho Muniz1; Tiago Medina Salata2; Diogo Goulart Corrêa2; Edson Marchiori3

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Sr. Editor,

Mulher, 29 anos de idade, com diagnóstico de carcinoma epidermoide do assoalho do seio frontal em 2014, submetida a excisão cirúrgica e radioterapia. No ano seguinte, houve recidiva da lesão, não obtendo desde então remissão tumoral completa. Em 2016, evoluiu com múltiplas lesões vegetantes e ulceradas, acometendo o escalpo, algumas provocando discreto comprometimento ósseo (Figuras 1A e 1C). Ressonância magnética (RM) demonstrou lesões expansivas, heterogêneas, predominantemente hipointensas em T1 e iso/hipointensas em T2, com realce não homogêneo pelo gadolínio e restrição à difusão (Figuras 1B e 1D), de aspecto semelhante a lesão tumoral primária. O conjunto de achados, associado à história clínica, foram sugestivos de comprometimento neoplásico secundário para a pele, confirmado pelo estudo histopatológico.



Figura 1. A: Lesão vegetante e ulcerada acometendo o escalpo. B: Ressonância magnética, T2, corte coronal, demonstrando lesão expansiva acometendo a região parietal, predominantemente iso/hipointensa, provocando discreto comprometimento ósseo (seta). C: Lesão vegetante sincrônica acometendo a região temporal (seta). D: Ressonância magnética, T1 com contraste, corte coronal, mostrando lesão sincrônica na região temporal direita (seta), com realce heterogêneo.



A literatura radiológica vem, recentemente, ressaltando a importância dos exames de RM no aprimoramento do diagnóstico de lesões da cabeça e do pescoço(1–4). O carcinoma epidermoide deriva dos queratinócitos suprabasais, com pico entre 50 e 70 anos, acometendo mais homens. Os fatores de risco dependem da localização, sendo tabagismo e etilismo os principais nos casos de lesões da mucosa, e radiação ultravioleta, úlceras crônicas e fístulas os principais quando provém da pele. Dentre as neoplasias da cabeça e pescoço, o carcinoma epidermoide é a neoplasia maligna mais comum, correspondendo a 5% dos casos de câncer(3), com disseminação metastática comumente para linfonodos, podendo também afetar pulmão, ossos e fígado(5).

A frequência de metástases para a pele é rara, variando de 0,7% a 9%(6), ocorrendo principalmente em cânceres de pulmão e mama, em estágios avançados da doença e predominando no escalpo, pescoço, tronco, antebraço, coxa e pênis(6,7).

Não foram encontrados estudos discutindo as características de imagem das metástases de carcinoma epidermoide para a pele. Em nosso caso, as lesões apresentaram-se semelhantes ao tumor primário, com sinal hipointenso em T1, iso/hipointenso em T2, realce heterogêneo ao meio de contraste e restrição à difusão. Estudos recentes destacam o uso das sequências em difusão na avaliação de lesões de cabeça e pescoço, mostrando que valores do coeficiente de difusão aparente menores que 1,22 × 10–3 mm2/s são sugestivos de malignidade(3,4,8). No caso aqui apresentado, observou-se valor de coeficiente de difusão aparente de 0,78 × 10–3 mm2/s, corroborando os achados anteriormente descritos.

O diagnóstico diferencial de lesões cutâneas é amplo, podendo ser citados hemangiomas, pilomatricomas, tuberculose, leishmaniose, linfomas e sarcomas. Apesar de os métodos de
imagem ajudarem na delimitação, o diagnóstico na maioria dos casos é histopatológico.

Em conclusão, apesar de as metástases para a pele serem incomuns e não apresentarem características de imagem específicas, devem ser consideradas entre as possibilidades diagnósticas em casos de lesões expansivas cutâneas, particularmente quando há história de neoplasia conhecida.


REFERÊNCIAS

1. Niemeyer B, Marchiori E. Giant pilomatrixoma: conventional and diffusion-weighted magnetic resonance imaging findings. Radiol Bras. 2015;48: 63–4.

2. Niemeyer B, Salata TM, Antunes LO, et al. Desmoplastic fibroma with perineural spread: conventional and diffusion-weighted magnetic resonance imaging findings. Radiol Bras. 2015;48:266–7.

3. Niemeyer B, Bahia PRV, Oliveira ALVSM, et al. Lethal midline granuloma syndrome: a diagnostic dilemma. Radiol Bras. 2012;45:353–5.

4. Gonçalves FG, Ovalle JP, Grieb DFJ, et al. Diffusion in the head and neck: an assessment beyond the anatomy. Radiol Bras. 2011;44:308–14.

5. Calhoun KH, Fulmer P, Weiss R, et al. Distant metastases from head and neck squamous cell carcinomas. Laryngoscope. 1994;104:1199–205.

6. Sawali H, Yunus MRM, Ai OC, et al. Cutaneous metastases from nasopharyngeal carcinoma: a rare manifestation. PJOHNS. 2010;25:32–5.

7. Luk NM, Yu KH, Choi CL, et al. Skin metastasis from nasopharyngeal carcinoma in four Chinese patients. Clin Exp Dermatol. 2004;29:28–31.

8. Wang J, Takashima S, Takayama F, et al. Head and neck lesions: characterization with diffusion-weighted echo-planar MR imaging. Radiology. 2001;220:621–30.










1. Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ, Brazil
2. Hospital Casa de Portugal – 3D Diagnose, Rio de Janeiro, RJ, Brazil
3. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Endereço para correspondência:
Dr. Bruno Niemeyer de Freitas Ribeiro
Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer – Departamento de Radiologia
Rua do Rezende, 156, Centro
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 20231-092
E-mail: bruno.niemeyer@hotmail.com
 
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