Radiologia Brasileira - Publicação Científica Oficial do Colégio Brasileiro de Radiologia

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ARTIGO ORIGINAL
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Page(s) 7 to 13



Avaliação ultrassonográfica da morbidade por esquistossomose mansoni na população indígena Xakriabá, Minas Gerais, Brasil

Autho(rs): Carolina Coimbra Marinho1,a; Aline Joice Pereira Gonçalves Nicolato2,b; Vivian Walter Reis2,c; Rosiane Cristina dos Santos2,d; Jaime Costa Silva3,e; Henrique Pereira Faria2,f; George Luiz Lins Machado-Coelho2,g

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Texto em Português English Text

Descritores: Esquistossomose mansoni; Grupos populacionais; Ultrassonografia.

Keywords: Schistosomiasis mansoni; Population groups; Ultrasonography.

Resumo:
OBJETIVO: Investigar a morbidade por esquistossomose na população indígena Xakriabá usando a ultrassonografia.
MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo de campo censitário realizado na terra da população indígena Xakriabá (166 convidados; 148 participantes; idade de 0–77). Foram feitos ultrassonografia abdominal, exame físico e coproscopia (EPF). Os testes Mann-Whitney U e qui-quadrado foram usados para comparações. Foram realizadas análise de risco (odds ratio – OR) e regressão logística.
RESULTADOS: De 116 índios com resultado de EPF, 31 (26,7%) tiveram ovos de Schistosoma; 22/31 (70,9%) tinham idade entre 4–16 anos. A carga parasitaria mediana foi 144 ovos/g (intervalo interquartílico: 264). De 105 examinados por ultrassom, 68 (64,8%) tiveram lobo hepático esquerdo aumentado, 6 (5,7%) tiveram esplenomegalia e 4 (3,8%) tiveram hipertensão portal. EPF+ foi mais frequente nos indivíduos com lobo esquerdo aumentado (OR: 3,4; intervalo de confiança (IC) 95%: 1,1–11,2; p = 0,043). Fibrose periportal ocorreu em 30/105 (28,6%) examinados, e desses 30, 9 (30%) apresentavam padrão C, 10 (33,3%) apresentavam padrão D e 11 (36,7%) apresentavam padrão Dc. A idade foi o único fator de risco independente para fibrose (p = 0,007). A fibrose ocorreu até nove vezes mais em usuários de álcool que em não usuários (OR: 9,28; IC 95%: 2,60–33,06; p < 0,001). Formas crônicas ocorreram em 54/138 (39,1%) participantes, sendo 32 dos 54 (64,8%) em menores de 30 anos; um (1,8%) era hepatoesplênico.
CONCLUSÃO: A esquistossomose na população Xakriabá caracteriza-se por alta positividade, predomínio em crianças e presença de formas hepáticas crônicas em jovens, especialmente entre usuários de álcool.

Abstract:
OBJECTIVE: To use ultrasound to investigate the morbidity related to schistosomiasis in the Xakriabá indigenous population.
MATERIALS AND METHODS: This was a field-based census study conducted in the territory of the Xakriabá people. A total of 166 individuals were invited, and 148 (≤ 77 years of age) agreed to participate. Most participants underwent abdominal ultrasound, physical examination, and stool examination. Mann-Whitney U and chi-square tests were used for comparisons. We determined risk by calculating odds ratio (OR) and performed logistic regression analysis.
RESULTS: Schistosoma mansoni eggs were found in 31 (26.7%) of the 116 stool samples examined, 22 (70.9%) of the 31 being from individuals 4–16 years of age. The median count was 144 eggs/g of feces (interquartile range, 264). Of the 105 participants examined with ultrasound, 68 (64.8%) had hepatomegaly (left lobe), 6 (5.7%) had splenomegaly, and 4 (3.8%) had portal hypertension. Egg-positive stool samples were more common in those with an enlarged left lobe (OR = 3.4; 95% confidence interval (CI): 1.1–11.2; p = 0.043). Periportal fibrosis was found in 30 participants (28.6%), of whom 9 (30%) had pattern C, 10 (33.3%) had pattern D, and 11 (36.7%) had pattern Dc. Age was the only independent risk factor for fibrosis (p = 0.007). Fibrosis was up to nine-fold more common in alcohol drinkers than in nondrinkers (OR = 9.28; 95% CI: 2.60–33.06; p < 0.001). Among the 138 participants in whom the clinical form was classified, the chronic hepatic form was identified in 54 (39.1%), of whom 32 (59.2%) were under 30 years of age and one (1.8%) was hepatosplenic.
CONCLUSION: Schistosomiasis in the Xakriabá population is characterized by a high frequency of egg-positive stool samples, predominantly in children/adolescents, and by chronic hepatic form in the young, especially among alcohol drinkers.


 
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