Radiologia Brasileira - Publicação Científica Oficial do Colégio Brasileiro de Radiologia

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Idioma/Language: Português Inglês

Vol. 51 nº 5 - Set. / Out.  of 2018

CARTAS AO EDITOR
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Page(s) 337 to 338



Síndrome de Boerhaave: o papel da radiografia simples do tórax

Autho(rs): Claudio Marcio Amaral de Oliveira Lima; Waldyr Maymone; Tatiana Mendonça Fazecas

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Texto em Português English Text

Sr. Editor,

Foi com bastante entusiasmo que recebemos o artigo “Síndrome de Boerhaave: diagnóstico diferencial de dor toracoabdominal”, publicado no número de março/abril 2018 da Radiologia Brasileira(1). Mesmo tendo mencionado que a utilização dos métodos de imagem convencional tem grande valor na detecção imediata da ruptura do esôfago, gostaríamos de fazer uma complementação no texto com base na radiografia simples, uma vez que o artigo só nos apresentou imagens de tomografia computadorizada.

Na ruptura espontânea do esôfago temos como expressão radiográfica e diagnóstica o sinal do V de Naclerio (Figura 1), identificado no raio-X de tórax e descrito como duas linhas hipertransparentes em forma de V, uma ao longo da borda esquerda da aorta e a outra criando o sinal do diafragma contínuo para a esquerda. É produzido pela presença de ar entre a aorta descendente (ramo vertical do V) e a pleura parietal com o diafragma esquerdo (ramo horizontal oblíquo do V). Este sinal foi descrito em 1957 pelo cirurgião de tórax Emil A. Naclerio (1915-1985)(2) em pacientes com ruptura na região posterolateral esquerda do esôfago, no entanto, não é patognomônico, e as lesões ao nível do esôfago proximal (iatrogênicas ou traumáticas) podem não apresentar este sinal(2-4).


Figura 1. Sinal do V de Naclerio. Menor do sexo masculino, um ano de idade, internado com diagnóstico de pneumonia no lobo inferior esquerdo sem resposta satisfatória ao tratamento. Após passagem de cateter enteral houve piora do quadro clínico, tendo sido solicitado raio-X de tórax que demonstrou o sinal do V de Naclerio e o diagnóstico de ruptura de esôfago com pneumoperitônio. Ramo vertical (setas finas) e ramo horizontal (seta grossa).



Bladergroen et al.(5) observaram que as lesões esofágicas, em até 55% dos casos, eram iatrogênicas, secundárias a endoscopia, em 15% eram espontâneas, em 14% eram secundárias a corpo estranho e em 10% eram decorrentes de trauma. Outros sinais na radiografia de tórax que indicam pneumoperitônio, além do V de Naclerio, são: pneumopericárdio, sinal do diafragma contínuo, sinal do hemidiafragma esquerdo contínuo, sinal do V da confluência das veias braquiocefálicas e sinal do anel ao redor da aorta(2-4).

A radiografia simples é um método útil, prático, rápido e portátil que pode ser realizado em pacientes graves e internados em unidades fechadas, sendo assim uma ferramenta diagnóstica muito importante, utilizada desde os primórdios e ainda de grande utilidade nos dias atuais, quando não raramente é o único recurso de imagem disponível; portanto, saber identificar no raio-X esta e outras doenças graves é fundamental(2-4). Reconhecemos a importância da tomografia computadorizada para avaliar afecções torácicas, mas gostaríamos de enfatizar que um quadro clínico aliado ao raio-X de tórax são habitualmente suficientes para o diagnóstico do pneumomediastino(2).


REFERÊNCIAS

1. Ribeiro TA, Cordoval LTC, Viana Neto EM, et al. Síndrome de Boerhaave: diagnóstico diferencial de dor toracoabdominal. Radiol Bras. 2018; 51:124-5.

2. Cottani M. Signo de la V de Naclerio. RAR. 2012;76:263.

3. Bejvan SM, Godwin JD. Pneumomediastinum: old signs and new signs. AJR Am J Roentgenol. 1996;166:1041-8.

4. Lomoschitz FM, Linnau KF, Mann FA. Pneumomediastinum without pneumothorax caused by esophageal rupture. AJR Am J Roentgenol. 2001; 177:1416.

5. Bladergroen MR, Lowe JE, Postlethwait RW. Diagnosis and recommended management of esophageal perforation and rupture. Ann Thorac Surg. 1986;42:235-9.










Hospital Municipal Jesus, Departamento de Radiologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Correspondência:
Dr. Claudio Marcio Amaral de Oliveira Lima
Rua Queiroz Júnior, 181/1002, Barra da Tijuca
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 22775-170
E-mail: cmaolima@gmail.com
 
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